CARTA SUICIDA

A máscara finalmente caiu, não passo de uma fraude completa. Minha vida inteira tem sido uma encenação - um médico que deveria curar quando eu mesmo estou irremediavelmente doente. Os pesadelos não me deixam dormir desde que a pequena Emily, filha de Annabel, morreu por causa do meu diagnóstico negligente.

Meus chamados "projetos revolucionários" são ideias roubadas, enfeitadas com dados fabricados. Rebecca, minha esposa, aguentou 25 anos ao lado de um homem que a traía regularmente com qualquer uma que pudesse alimentar meu ego frágil. O dinheiro que escondi offshore veio de chantagens contra pacientes vulneráveis cujos segredos explorei.

Meu próprio irmão Marcus, a quem afastei por pura ganância, tinha razão sobre mim desde o início sou exatamente como nosso pai, manipulador e cruel. Os tratamentos "inovadores" que apliquei em pacientes desesperados não tinham aprovação ética e causaram danos irreparáveis que acobertei com ameaças e subornos.

Dentro de nossa consciência, encontramos a verdadeira natureza humana que não me deixa dormir com a culpa. É esta verdade que me confronta agora no espelho quebrado do meu consultório, o reflexo distorcido do que me tornei.

Não há redenção possível para alguém como eu, apenas o alívio que virá em seguida. Que os que prejudiquei encontrem alguma paz com meu fim.

Philip J. Warren